Tomando conhecimento do falecimento do nosso conterrâneo António do Rego Paquete, vem a Junta de Freguesia de Fajã de Cima, nas pessoas do seu Presidente, Secretária e Tesoureira, manifestar o seu profundo pesar e consternação pela sua partida.
As nossas primeiras palavras são dirigidas à sua esposa, filhos, restante família e amigos, no sentido de endereçar as nossas mais sentidas condolências.
O Sr. Paquete, como carinhosamente era conhecido, deixa-nos um contributo único na valorização e desenvolvimento social e cultural da Fajã de Cima.
Cientes da sua importância, este Executivo distinguiu e homenageou o percurso de vida do Sr. António do Rego Paquete, e a sua dedicação à freguesia, a 13 de Julho de 2022, na sessão solene comemorativa do 279º aniversário de elevação da Fajã de Cima a Curato.
Entendemos que é da mais elementar justiça partilhar este seu brilhante percurso de vida.
Até um dia, Sr. Paquete!
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“No dia em que comemoramos o 279º aniversário de elevação da Fajã de Cima a Curato, homenageamos uma figura incontornável e emblemática da história da Fajã de Cima, em particular pelo seu contributo para a organização de várias semanas culturais e pelo conhecimento e dedicação às gentes e tradições da freguesia.
António do Rego Paquete, nascido a 2 Julho de 1943, filho de Jacinto do Rego Paquete e de Maria da Luz de Medeiros Garcia, casado e pai de dois filhos, viveu toda a sua vida na freguesia que o viu nascer e crescer: a Fajã de Cima.
Fez o seu percurso escolar na Escola Primária Cecília Meireles tendo completado a 3ª classe.
Aos 11 anos de idade começou a trabalhar para ajudar a sua família. Seu primeiro emprego foi como sapateiro em Ponta Delgada, “ganhavam-se 25 escudos por semana” como relembra o Sr. António. Trabalhou como latoeiro e foi ainda “correio”, entregando as compras à casa dos clientes. Por fim, ingressou nos escritórios da Empresa Varela, onde trabalhou e dedicou 33 anos da sua vida.
Ao longo do seu percurso profissional, o seu empenho e dedicação foram alvo de reconhecimento quer pela Empresa como pelos seus Chefes – Sr. Armando Rodrigues e Sr. Juvenal Pimentel da Costa, que asseguraram que António Paquete completasse os seus estudos, sendo reconhecido como “melhor aluno” e tendo recebido o Prémio “Nicolau Sousa Lima”.
Foi um elemento ativo de várias iniciativas e movimentos da Paróquia de Nª Sª da Oliveira, ajudou na Igreja e organização de missas, visitou doentes da freguesia e, no início dos anos 80, ingressou nos serviços de voluntariado do Hospital do Divino Espírito Santo.
Integrou, também, a Filarmónica Lira de Nª Sª da Oliveira tendo começado por tocar trompa, depois trombone e por fim bombardino.
Desde jovem se interessou pelo estudo, pesquisa e preservação das tradições e cultura Açoriana, em especial de tudo o que tem interesse cultural na freguesia de Fajã de Cima, dedicando grande parte dos tempos livres da sua vida a explorar, registar e a “contar histórias” de muitos dos testemunhos recolhidos, tradições e costumes das raízes “Fajanenses”.
Integra, pela primeira vez, os órgãos da Casa do Povo, enquanto tesoureiro da Direção, no triénio de 1990 a 1993. De 1996 a 1999 foi eleito secretário da Assembleia-Geral. De 10 de março de 1998 a 9 de outubro de 2013 foi Presidente da Direção da Casa do Povo de Fajã de Cima, tendo sido um notável impulsionador das comemorações da elevação da freguesia a Curato e levado a cabo várias semanas culturais.
Foi responsável pela realização de diversas exposições de fotografias, que retratavam os antepassados e memórias da freguesia, e participou em vários “Concursos de Maios”.
Tão natural como a sua vontade de conhecer as terras, costumes e gentes é a forma genuína como se dedicou à Sua Freguesia ao longo da sua vida, ajudando quem mais precisava, envolvendo os jovens na vida e história da Fajã de Cima, impulsionando a manifestação da arte da representação na comunidade.
Foi responsável pela escrita de várias peças de Teatro tais como “Consultório”, “A Matança”, entre outras. Impulsionador e dinamizador do Grupo de Teatro de Jovens da freguesia “Génios e Talentos”, levou a arte de representar para fora da freguesia, tendo levado o teatro à Casa do Gaiato de São Miguel bem como ao Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.
A sua entrega e dedicação à causa cultural e social da freguesia de Fajã de Cima, recebem hoje uma justa e reconhecida homenagem.
A Fajã de Cima agradece a um Homem que dedicou grande parte da sua vida ao bem comum e dos cidadãos da freguesia”.
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